
João Paulo Guerra, na sua coluna no «Diário Económico» desta quinta-feira aborda a questão levantada com a inauguração do Largo Salazar, em Santa Comba Dão, no dia em que se assinala a passagem do 35.º aniversário da Revolução do 25 de Abril
A Câmara Municipal de Santa Comba Dão, de maioria PPD/PSD-CDS/PP, achou por bem dar o nome do ditador António de Oliveira Salazar a um Largo e, ainda melhor, inaugurar o Largo Salazar no 35.º aniversário da Revolução do 25 de Abril.
Porque o 25 de Abril, tanto quanto sei, se fez para devolver aos portugueses a liberdade, designadamente a liberdade de não gostarem do 25 de Abril, aqui deixo algumas sugestões para ajudar a Câmara santa-combense a exercer a sua liberdade de evocar, glorificar e perpetuar a ditadura salazarenta na toponímia da terra:
- Rua dos Coronéis da Censura;
- Travessa da Repressão;
- Quebrada da PIDE;
- Saguão da Legião Portuguesa;
- Eirado da Polícia de Choque;
- Beco da Tortura;
- Pátio dos Presos Políticos;
- Azinhaga dos Tarrafais;
- Canto dos Exilados;
- Viela do Partido Único;
- Esquina das Chapeladas Eleitorais;
- Calçada do Obscurantismo;
- Valeta dos 30% de Analfabetos;
- Quelho dos Monopólios;
- Boqueirão dos 50% de Água Canalizada, Electricidade e Esgotos;
- Ruela do Pé Descalço;
- Trottoir dos Ballet Rose;
- Betesga Orgulhosamente Só;
- Passadiço das Guerras Coloniais;
- Covão dos 8.831 Mortos pela Pátria;
- Terreiro dos 15.000 Deficientes e Mutilados de Guerra;
- Torre da Prepotência;
- Corredor do Medo.
A própria Câmara de Santa Comba Dão bem podia constituir-se em câmara ardente, velando para que não deixasse de bruxulear o facho do salazarismo. E, já agora, também poderia erguer como atracção um parque jurássico do Dinossauro Excelentíssimo.
Publicado por dizerbem em abril 23, 2009 08:27 PM | TrackBackHaverá sempre quem tenha saudades, especialmente quem não lhe sofreu a repressão.
Afixado por: João Norte em abril 24, 2009 11:50 AM